Indígenas, uma luta de séculos por seus direitos

Você já se imaginou morar em um local há anos e, de repente, sem mais nem menos, outras pessoas chegam e te colocam para fora de sua casa, sem direito algum?

 Parece uma história de filme bem triste e dramática, não é? Entretanto não é ficção. Há mais de 500 anos os povos indígenas lutam e reivindicam por um lugar que sempre lhe foi de direito, mas que violentamente lhe foi tirado.

Diferente daquele indígena que andava nu, pelas matas, comiam só frutas das árvores, não ia ao hospital, não tinha contato com o “homem branco”, o mundo evoluiu e os índios também.

 Atualmente, eles moram nas cidades em aldeias urbanas, usam roupas, têm acesso ao hospital e  convivem com outras culturas. Isso foi o que explicou o aluno Maycon Pepjaca Krikati, 25 anos, estudante de Ciências biológicas na UFG – Universidade Federal de Goiás. Pepyaká como é conhecido participa do Programa UFGIncliu (Programa que permite ingresso  dos indígenas e quilombolas através de uma vaga extra, além de acolher e acompanhar esses alunos ao longo de sua vida acadêmica).

 No dia do Índio como se comemorou no dia 19 de abril, não se deve ensinar aquilo que aconteceu há cinco séculos, é preciso respeitar a cultura, ensinar que houve uma evolução e que os direitos de terra, moradia e sobrevivência precisam ser garantidos. Não só no papel, mas na prática.

 Apesar de a população indígena ter diminuído muito por causa do massacre histórico feito por séculos na construção do Brasil, segundo o senso do IBGE de 2010, existem 252 etnias, mas uma reportagem publicada em 2013 pela EBC o número era maior, 305, para ser exata, com a população com cerca de 900 mil descendentes de índios espalhadas pelo Amazonas, Bahia, São Paulo, Mato Grosso do Sul, Minas Gerais, Rio Grande do Sul, Pará, Rio de Janeiro, Pernambuco, Paraná e outros estados. Mesmo que se reconheçam como índios, nem todos os grupos conseguiram conquistar seu território.

 Segundo a reportagem da TV BRASIL – Indígenas a luta dos povos esquecidos:

 “Os Guarani Kaiowá, por exemplo, ainda lutam pelo reconhecimento da terra sagrada, o Tekoha. No Brasil, há 505 terras indígenas reconhecidas – um total de 12,5% do território. A terra indígena Suruí foi demarcada em 1976, mas os índios só receberam a posse total sete anos depois. Parte do território fica em Mato Grosso e parte em Rondônia. Já se passaram trinta anos e os Suruí (ou Paiter, em tupi-mondé, como preferem ser chamados) ainda lutam para preservar seu território. Nos anos 80, metade da área acabou nas mãos de fazendeiros e empresas. A principal ação conjunta do governo federal, o Programa de Proteção e Promoção dos Direitos dos Povos Indígenas, usou 652,6 milhões de reais no ano passado – 70% do que havia sido autorizado no orçamento. Desse total, 92% foram para ações de saúde indígena. Sobrou pouco para outras áreas, como fiscalização, projetos sustentáveis e preservação dos conhecimentos.”

  Em 16 de maio, com a escrita da PEC 215, os índios foram protestar contra a Comissão Parlamentar de Inquérito da FUNAI, na Câmara dos Deputados, CPI da Funai e Incra 2.

 O ministro Osmar Serraglio disse que os índios não precisavam de terras e sim ter boas condições de vida. Mas o que o parlamentar esqueceu que ter moradia é um meio de sobrevivência e isso é ter vida. Após ser criticado pelos meios de comunicação,  Serraglio tentou consertar o seu infeliz comentário.

 Pelo país afora as notícias correm e em Genebra as Nações Unidas, segundo o site Estadão informou que o caso da demarcação de território dessas comunidades é um problema que tem se agravado, brigas com mortes tem acontecido, assim como Ribeiro e Ribamar em um conflito de terras no Pará teve seus joelhos cortados nas articulações, levantamento de dados da ONU registrou que em 2015, 137 indígenas foram assassinados.

 Mais agravante nesses relatórios consta é que quase 57,9% das crianças são registradas em seu primeiro ano de vida, e que as maiores vítimas de mortalidade infantil, são as crianças indígenas.  

 Portanto, há algo para ser pensado. Que país é esse em que o dono da terra não pode possuí-la?

Imagem: IBahia

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